RECET Vol. 3 (1): 17-25 | 2016

CAPA  |  RELATOS DE CASOS   


Matheus Miranda Paiva (1), Rodrigo Donalisio da Silva (2), Gustavo Fiedler (1), Luiz Felipe Lopes (1), Ariovaldo Santana da Rocha Filho (3), Valter José Fernandes Muler (1), Fernando J. Kim (2,4)

(1) Departamento de Urologia do Hospital Federal dos Servidores do Estado – RJ; (2) Division of Urologia Denver Health Medical Center- Denver – CO; (3) Departamento de Patologia Clínica do Hospital Federal dos Servidores do Estado – RJ; (4) Division of Urology, University of Colorado Denver – Denver – CO


INTRODUÇÃO 

Introdução: O câncer de pênis tem incidência de 8,3/100.000 habitantes. Tumores localmente avançados e avançados são encontrados em aproximadamente 18,72% dos casos e seu tratamento é um desafio devido a agressividade do tratamento cirúrgico. Metástases linfonodais são o principal fator prognóstico. A quimioterapia tem indicação consolidada no tratamento paliativo da doença metastática e pode ter um papel no tratamento neoadjuvante para doença localmente avançada, mas ainda está em debate na literatura urológica.
Objetivo: Relatar um caso de carcinoma escamoso de penis localmente avançado de pênis que foi submetido a tratamento neoadjuvante e operatório definitivo através de penectomia parcial com linfadenectomia inguinal ampliada.
Relato do caso: Homem, 51 anos, lesão ulcero-vegetante na glande peniana com diagnóstico histológico por biópsia de carcinoma epidermóide moderadamente diferenciado, infiltrante, ulcerado e com linfonodos inguinais à direita. Indicado inicialmente neoadjuvância com Taxol, Cisplatina, Ifosfamida, apresentando toxicidade o que levou a suspensão do tratamento. Tomografia evidenciava linfonodomegalia inguinal a direita invadindo vasos femorais, cordão inguinal, além de linfonodomegalia em cadeias ilíacas. Optado então pela penectomia parcial, linfadenectomia inguinal bilateral e pélvica com ressecção em bloco das veias femoral superficial e profunda direita, testículo direito, cordão espermático direito e parte da parede abdominal com necessidade de reconstrução com retalho miocutâneo do músculo tensor da fáscia lata. Durante o seguimento apresentou recidiva inguinal direita com sepse por infecção local, óbito 3 meses após a cirurgia.
Discussão: A sociedade Europeia de Urologia recomenda quimioterapia neoadjuvante no câncer peniano em pacientes com tumores não ressecáveis ou recorrentes em metástases linfonodais, devendo ser realizada com vinblastina, bleomicina e metrotrexate, porem com grau de recomendação C, baseada em alguns pequenos estudos com resultados favoráveis nos pacientes submetidos a quimioterapia neoadjuvante.
Conclusão: A quimioterapia tem indicação no tratamento paliativo da doença metastática e pode ter um papel no tratamento neoadjuvante para doença localmente avançada, apesar de alguns pequenos estudos mostrarem resultados satisfatórios da neoadjuvância ainda não existem estudos prospectivos e randomizados nem nível de evidencia suficiente para indicar a neoadjuvância de rotina para esta neoplasia.


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Capa Edição 1 - 2016